segunda-feira, janeiro 16, 2006

Shoegazing - sonhar a pés juntos

Em finais dos anos 80, mais precisamente em 1988 era editado um disco que viria a influenciar toda uma geração subsequente de bandas com relevância no início da década de 90. O titulo? Isn´t Anything. A banda? My Bloody Valentine (MBV). Apesar de o registo mais unânime da banda ter apenas chegado em 1991 (Loveless), este foi o fósforo que desencadeou o seguidismo e aprofundamento desta corrente musical a que se decidiu chamar shoegazing. E isto porque o som que a caracterizava resultava da sobreposição de várias camadas sonoras, conseguidas com recurso a vários pedais de distorção, o que implicava que os elementos da banda estivessem sempre imóveis, a fitar o chão (ou os sapatos para ser mais literal). Eram portanto concertos em que a banda permanecia estática mas que ainda assim eram muito intensos, bem longe do tédio. Quando falamos de shoegazers há nomes que não podem deixar de ser mencionados além dos MBV: Ride, Slowdive, Chapterhouse ou Lush. Outro adesivo colado pela crítica britânica (outro rótulo do qual podíamos compreender o significado através da expressão que o designava) foi o de "Scene that celebrates itself". Esta, mais do que um significado sonoro, pretendia referir-se a um conjunto de bandas que eram frequentemente vistas juntas, nos concertos umas das outras. Aqui incluíam-se nomes com Slowdive, Blur, Lush, Curve que por não terem influência/poder para chamar a si a atenção da imprensa isoladamente resolveram buscar os holofotes de forma conjunta. Há quem diga ainda que era o modo mais simples de assistir a concertos à borla.
Se o shoegaze se caracterizava por induzir os ouvintes num transe como que o de um sonho (devido às multiplas camadas sonoras sobrepostas num mesmo acorde e às vocalizações arrastadas) os Slowdive criaram em Souvlaki uma dos mais belas viagens sem sair do mesmo sítio. Ouçam-no, de pés juntos.

João Terêncio

4 Comments:

At quarta jan 18, 01:11:00 da tarde 2006, Anonymous Paulo Sebastião said...

Ó João, "seguidismo"? Eu sei que ando desactualizado no vosso domínio, mas ainda niguém copiou, bem ou mal Loveless. Esse foi um fenómeno de revivalismo sinfónico, com integrações composicionais do mundo que então se vivia. Aliás,e repetindo-me, eu já não ouço a vossa área, a não ser nos vossos programas, mas para mim, e sobretudo no decorrer da década de 90, poucas coisas foram saindo de jeito no pop\rock. Fico com a sensação de agora se passar o inverso: a "vossa" produção é maior e mais interssante em relação à electrónica gerada. E já agora, também os Happy Mondays, os Inspiral Carpets, por exemplo eram "The Scene...". E, para terminar, LX-90 - 1RPM -, o álbum que "Pills Thrills and Bellyaches" nunca foi.
Um abraço forte a todos. Sebastião.

 
At quinta jan 19, 06:36:00 da tarde 2006, Anonymous João Terêncio said...

Seguidismo é apenas uma forma de dizer que uns se basearam noutros para criar algo seu.
Outra omissão de monta no movimento shoegaze e que também criou doutrina: The Jesus and Mary Chain. Obrigado Emanuel pelo toque

Abraço de alta fidelidade
João Terêncio

 
At sexta jan 20, 01:55:00 da tarde 2006, Anonymous Paulo Sebastião said...

Ao contrário do pensamento do Emanuel, os Jesus... têm mais a ver com uma intelectualização sonora, lebram-se recuperaram o conceito "wall of sound" do mítico Phil Spector, que com o movimento em causa. E foi no pós-punk, mais uma lição de conhecimento da história da música popular, pois o baterista era na altura o desconhecido Bobbei Gillespie, hoje dos Primal Scream.
Enfim, "just a thought".
Um abraço de paixão pop. Sebastião.

 
At quarta fev 08, 07:51:00 da tarde 2006, Anonymous João Terêncio said...

Não sabia desse passado recomendável do Bobby Gillespie. Mais um ponto a seu favor. De qualquer maneira sempre me custou a assimilar os Jesus & Mary Chain devido ao forte componente noise que imprimiam no seu som, mormente no Psychocandy. É dificil apreciar a melodia lá ao fundo quando um zumbido nos dilacera os ouvidos...

Abraço
João Terêncio

 

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